Sexta-feira, 22 de Abril de 2011

Um passinho de Dança

 Sabem, eu não tenho o hábito de falar sobre as 7 artes. Ou melhor, falo sobre cada uma das artes, mas nunca digo que pertencem ao grupo d'As Sete Artes. Só em casos extremos é que faço essa referência: faço quando quero que as pessoas achem que eu sou um intelectual e faço quando não tenho ideias decentes para textos. Com sorte, hoje irei mudar isso. Pois esta arte é quase como se fosse a ovelha negra das outras artes. É aquela que as outras artes chateiam quando não têm nada para fazer. É aquela que as outras artes fecham no quarto quando há visitas. No geral, é o alvo de chacota de todas as artes. Mas eu, cheio de pena da 2ª arte, quero parar com esta discriminação. Esta arte não tem culpa de filmes como Billy Elliot ou Dirty Dancing, tal como Deus não tem culpa da existência de algumas pessoas. Hoje, escrevo em defesa... da Dança. 

 A Dança é o elemento mais importante da sociedade actual. Talvez esteja a exagerar apenas um pouco, mas apelo agora à vossa humilde reflexão. Quantas vezes é que a Dança já vos safou em momentos importantes? No meu caso só deu origem a insultos em relação aos meus passos de dança em diversos casamentos, mas tenho a certeza que há bons exemplos. O waka por exemplo. O próprio acto de breakdancing. A celebração de golos. Tudo bons exemplos da bondade da dança. Ignorando os momentos embaraçosos que passámos a praticar a minhoca, todos aqueles movimentos ridículos do Saturday Night Fever, e claro, o clássico moonwalk. E já que mencionei estes passos de dança, gostava que reparassem numa coisa: alguma vez ouviram o nome de algum passo de dança totalmente português? Porque todas estas "danças" são de origem estrangeira. Dando o exemplo de "A minhoca" que é na realidade " the worm".  É óbvio que não fiz nenhuma pesquisa aprofundada, nem me dei ao trabalho de inserir no Google " Danças Portuguesas" mas tenho a certeza que deve haver alguma coisa que faça o povo português orgulhoso das suas raízes dançantes.

 E por falar em dança. vocês já ouviram falar de um lugar dedicado a essa práctica chamado de "discoteca"? Eu na realidade não sou grande fã. E também acho que estas "discos" perderam as suas raízes. Hoje em dia já ninguém se importa com a dança quando se vai a uma discoteca. Os rapazes vão por causa das raparigas e as raparigas vão para mostrar que estão disponíveis. Falo claro na idade adolescente. ( Esta última frase salvou-me do abandono de muitas mulheres desta página). E claro, não ignorar também o álcool servido. Embora ( meninos e meninas) não haja necessidade de recorrer ao álcool para um serão de divertimento. 

 Finalmente quero também lembrar que a 2ª Arte chama-se " Dança/Coreografia". A não ser que sejam realmente alunos de dança, já ninguém liga à coreografia. Sempre que há uma pessoa que diz que não sabe dançar, há sempre o experiente rapaz que aponta " É só pores o corpo mole e sentires a música". Eu nunca me riu, pois não tenho uma explicação melhor. Não consigo mesmo perceber o conceito de dança. E sinceramente, não quero perceber. Pois 80% dos experientes rapazes que fazem aquela afirmação anterior, estão sobre o efeito da marijuana. Embora também não perceba muito sobre marijuana.

 

publicado por Sebastião Marques Lopes às 01:11
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Segunda-feira, 18 de Abril de 2011

Come fly with me

 Eu sou dos poucos que adora andar de avião. Adoro acordar às 6 da manhã para apanhar um avião às 8. Adoro passar uma eternidade no check-in. Adoro os bancos apertados do avião. Adoro os bebés berrantes. Adoro quando estou sentado na cadeira no meio e na aterragem o passageiro que está à janela espeta sua cabeça no vidro. Adoro quando as pessoas batem palmas mesmo que a aterragem tenha sido péssima. Adoro quando a minha mala é sempre a última a sair. Adoro os preços astronómicos do aeroporto. Adoro quando eu chego a casa e todo o meu material frágil se encontra destruído. Adoro quando chego atrasado a encontros importantes por ter as horas do local onde eu estive. Adoro ter de fazer e desfazer as minhas malas. Adoro não ter roupa no dia em que chego a Portugal. E agora pensem: o que não há para gostar numa viagem de avião?

publicado por Sebastião Marques Lopes às 19:16
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A amiga Hipocrisia

 Hipocrisia. Nem sabem o quão eu odeio hipócritas. Mas esta afirmação é hipócrita, pois eu sou a pessoa mais hipócrita que alguma vez conhecerão. E digo-vos mais: não conheço ninguém que não seja hipócrita, pelo menos uma vez por dia. Mas não quero escrever sobre hipocrisia, pois na verdade já estou farto de escrever esta palavra. Quero abordar é o acto de "socializar". O que é que isso tem haver com hipocrisia? Nada se não me conhecerem intimamente. Por isso qualquer pessoa que não seja familiar, é favor de abandonar esta página. Não, mas na verdade uma das coisas na qual eu sou mais hipócrita é na confraternização. Pois eu sou uma pessoa que é muito pouco social, e que gosta de dizer que não é uma coisa que eu esteja muito preocupado. E pensei sempre assim, até há cerca de 6 meses atrás. Foi um daqueles dias normais em que uma pessoa está a ver sketches antigos do Herman, dos Gato, dos Monty e alguns stand-ups no youtube. Eu olhava para aquilo e pensava " Mas como é que eles arranjaram estas ideias e personagens geniais?". Após muitas entrevistas e suposições, cheguei à terrível conclusão que a maioria das personagens não foram criadas enquanto os autores estavam sentados isolados numa secretária a ver sketches antigos do Herman, dos Gato, dos Monty e alguns stand-ups no youtube. E se repararem, as melhores personagens são aquelas que se nós víssemos na rua, provavelmente ignorávamos. Alguém falaria com o Javardola? Alguém teria uma conversa com o José Severino? Alguém apreciava conviver com um imperador Romano que tem amigos com nomes estranhos? Por isso, descobri que para ser um criativo, há que conviver. Tenho que falar mais com o velho do jardim; tenho que meter conversa com os taxistas; tenho de falar com os meus colegas quando o professor está a dar a aula. E a cima de tudo, tenho de deixar de ser hipócrita. Pois alguém falaria com uma pessoa completamente hipócrita?

publicado por Sebastião Marques Lopes às 00:27
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Sexta-feira, 1 de Abril de 2011

É preciso ser bom

 A adolescência é a idade em que recebemos mais elogios. Principalmente de pessoas mais velhas ( porque para mim alguém de 30 anos já é um velho ). A razão ainda não descobri; talvez seja porque na adolescência as pessoas são mais elogiáveis ou se calhar os elogiadores sabem que é melhor aproveitar agora enquanto essa pessoa ainda tem educação para agradecer. E eu ( na minha plena adolescência ), já recebi muitos elogios ( tenham calma que a humildade ainda está para vir ) e muitos insultos. Pois, é também na adolescência, que as pessoas são mais insultadas ( partindo do princípio que quem está a ler não tem um cargo governamental). Talvez seja porque na adolescência as pessoas são mais insultáveis ( mudança de voz, borbulhas, etc) ou porque as pessoas sabem que eles não têm idade para ripostar ou até mesmo de se defender. Acontece-me ambos todos os dias: ou sou insultado por um benfiquista, ou sou elogiado por um vendedor que quer que eu compre umas calças de 100 €. Mas garanto-vos uma coisa, o melhor elogio que alguém alguma vez me fez, foi a utilização de uma palavra simples que escrita, soletra "bom". "É preciso ser bom". Quantas vezes já eu ouvi isto. E quando alguém finalmente usa este adjectivo, é um incentivo para continuar a ser bom. E o que é ser bom? Ser bom tem um significado diferente no feminino. Quando ouvimos um camionista dizer " Ela é boa" com certeza que não está a falar do seu carácter psicológico. E também esta palavra "bom", não é designada para descrição de uma actividade. Este "bom", não pode ser utilizada na frase " O Ronaldo é bom a jogar à bola "ou mesmo " Eu sou bom a carregar sacos de plástico ". Ser bom é ser simpático, cavalheiro, elogiar as pessoas ( e às vezes insultar se for preciso ), ser bem-educado, cordial e, acima de tudo, ser bom rapaz. 

 Eu sei, eu sei. Visto desta forma ninguém é "bom", só mesmo seres superiores e extraordinários.  E até agora, só aquele vendedor de calças é que disse, de facto, que eu era "bom".

publicado por Sebastião Marques Lopes às 18:47
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